Evitar o excesso de peso e combater a obesidade


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Ter hipertensão expõe as pessoas a um risco acrescido de ter um acidente cardiovascular mas, felizmente, os tratamentos disponíveis são eficazes para o diminuir. No entanto, tomar medicamentos para baixar a tensão arterial não é suficiente: é preciso atuar também sobre outros fatores que podem prejudicar a sua saúde  – o excesso de peso, o tabagismo, a diabetes ou o sedentarismo – que são importantes inimigos a combater.

Quando se é hipertenso é necessário adotar medidas de estilo de vida para limitar as complicações da hipertensão. As seis recomendações deste capítulo explicam como pode fazê-lo. O seu médico ou nutricionista podem adaptar estas medidas às suas necessidades  mas nunca se pode esquecer que o compromisso para o cumprimento das mesmas depende largamente de si. Falar do papel do doente neste caso não é apenas uma questão teórica: a escolha de fumar ou não, de comer enchidos e batatas fritas em quantidade ou de subir escadas em vez de utilizar o elevador exigem, na prática, a vontade. Esta tarefa não é fácil, refletindo o facto dos médicos não terem por vezes a motivação ou o tempo para explicar em pormenor todos os benefícios que pode esperar destas medidas.

1. Evitar o excesso de peso e combater a obesidade

Todos aqueles que são hipertensos devem evitar o excesso de peso já que a obesidade favorece e agrava a hipertensão arterial. De facto, o emagrecimento é uma medida eficaz para diminuir os números de tensão arterial e, na melhor das hipóteses, o restabelecimento de um peso normal  pode corrigir uma hipertensão mesmo sem recurso a medicamentos. Para saber se a sua relação peso-altura é correta o mais rigoroso é calcular o seu Índice de Massa Corporal (IMC) em vez de utilizar apenas o seu peso. Por isso, é tão importante subir para a balança como medir a sua altura, como se mostra a seguir.

A avaliação do Índice de Massa Corporal permite estimar, com algum rigor, o estado nutricional. É uma forma simples e fiável de rastrear a obesidade no adulto. O índice de massa corporal permite estimar a quantidade de matéria gorda do organismo a partir do peso e da altura. Corresponde assim à relação do peso (em Kg) sobre o quadrado da altura (em metros). Na prática, este índice calcula-se recorrendo a uma fórmula matemática simples: IMC = peso/(altura)2. A interpretação do valor é aplicável no adulto dos 18 aos 65 anos e deve ter-se em conta que esta não se adequa à criança, à grávida ou a pessoas muito musculadas (culturistas, por exemplo). Salienta-se ainda que não existe atualmente uma definição consensual de obesidade no idoso.

A obesidade define-se por um IMC igual ou superior a 30 Kg/m2. A tabela 4 mostra as definições do International Obesity Task Force (organismo associado à Organização Mundial de Saúde). As recomendações médicas variam de acordo com a categoria nutricional calculada para cada pessoa.

Classificação do estado nutricional em função do valor de IMC.

Referência: World Health Organisation WHO. Obesity : preventing and managing the global epidemic. Report of WHO Consultation on Obesity. Geneva, 3-5 june 1997 (WHO/NIT/NCD/98.1):1998

Valor de IMC

Categoria Nutricional

Inferior a 18,5

Magreza

Entre 18,5 e 24,9

Normal

Entre 25 e 29,9

Excesso de peso (pré-obesidade)

Entre 30 e 34,9

 Obesidade tipo I

Entre 35 e 39,9

Obesidade tipo  II

Superior a 40

Obesidade tipo  III (mórbida)

Aqui se demonstram três tipos de recomendações em função do IMC:

1) Recomendações em caso de excesso de peso (IMC entre 25 e 29,9 kg/m2) :

Neste caso, o objetivo principal é de estabilizar o peso. Para isso deve esforçar-se para:

  • ter uma alimentação equilibrada e evitar alimentos com muitas calorias como é o caso das batatas fritas, chocolate ou refrigerantes;
  • fazer refeições em horários regulares sem petiscar entre refeições;
  • ter uma atividade física regular.

2) Recomendações no caso de obesidade, ou seja, IMC entre 30 e 39,9 kg/m2 :

A – Se apresentar complicações, diretas ou indiretas, ligadas à obesidade (uma hipertensão arterial, por exemplo), é desejável que consulte o seu médico. Se já estiver a ser tratado para esse efeito, é importante que cumpra corretamente as recomendações nutricionais e a toma correta dos medicamentos prescritos.

B – Se não apresenta complicações devido à obesidade estará, no entanto, exposto a alguns riscos. O seu objetivo principal será assim de perder peso. Importa também não ganhar peso posteriormente.

Para conseguir perder peso de uma forma eficaz deve consultar um médico ou nutricionista de modo a receber recomendações para uma dieta adequada ( medidas nutricionais). Pratique exercício físico (e tenha uma atividade física regular). É importante que saiba que as dietas “agressivas” (ditas restritivas) são apenas recomendadas para as pessoas cuja perda de peso é necessária por questões de saúde. Em caso algum confie nos métodos milagrosos para emagrecer pois apenas são eficazes a “emagrecer” a sua carteira e não a fazer perder peso de forma sustentada. São estas soluções que levam a um efeito “yoyo”: há uma perda rápida de peso em virtude da dieta feita durante um curto espaço de tempo mas, posteriormente, volta-se a ganhar peso (muitas vezes mais do que já se tinha). E tem de se recomeçar tudo outra vez.

3) Recomendações no caso de obesidade mórbida, IMC igual ou superior a 40 kg/m2 :

Uma situação de obesidade mórbida coloca o risco de exposição a vários problemas de saúde que não iremos aprofundar aqui. É importante que saiba que estará exposto, além de outras, a complicações respiratórias como o Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono. Procure ajuda de um especialista em nutrição e não hesite em manter com ele um contacto regular. É necessário um seguimento próximo e especializado sobretudo se possuir perturbações do comportamento alimentar associadas (bulimia, por exemplo).